ELE ESTÁ MAIS VELHO, MAIS CHATO, MAIS FEIO, MAIS MAU E MAIS SEM-VERGONHA QUE NUNCA.

Coluna do Comendador Baltazar II

Esta é a continuação do blog que fez, faz e sempre fará parte da relação daquelas pessoas que gostam ou odeiam das coisas que são escritas nele. Particularmente falando, penso que a maioria das pessoas odeiam. É por isso que ele volta no mesmo formato odioso.
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Terça-feira, Janeiro 29, 2008



Sempre buscamos novidades para nossas vidas, e algumas vezes as novidades nos tomam de surpresa, de chofre. Temos ciência de que quando, pelo menos na maioria das vezes, tais novidades nos surpreendem, coisas boas é que não são. Contundo, esta em particular, assombrou-me de tal maneira que quase fiquei sem ar... Ã, talvez tenha acontecido um pouco menos, pois quem me ouve falando desta maneira deve pensar que o acontecido fora do além, ou e o que é pior, que estou tornando-me num velho maricas.

Deixe-me partir para a história propriamente dita, pois se continuar assim, cheio de floreios, certamente chegarei a parte alguma de nada. E como bem me conheço, ficarei dando voltas e mais voltas até que toda a linha do meu pensamento se perca por completo. E daí, já era. Então, como ia dizendo... Ã... O que era mesmo? Ah, sim; o cachorro, aquele vira-lata sempre que pode faz cocô onde não deve. Aliás, ele só faz cocô onde não deve... Mas... Ah, lembrei agora, estava falando de surpresas e coisas e tal.

Pois bem, dia desses, após muito tempo sem ver coisas do tipo, vi a Olga, toda se esgueirando pelas paredes em movimentos maliciosos, piscadelas atrevidas, sorrisos indecentes e movimentos com as mãos pra lá de provocadores. Sem dúvida que ela queria algo a mais de mim. Então, ao longo da semana pude perceber algumas coisinhas diferentes acontecendo pela casa.

Segunda-feira:
As crianças (netos e sobrinhas - a irmã da sobrinha que já mora conosco) foram convidadas inesperadamente a passar uns dias na casa de praia da minha irmã. Este fato poderia ser algo normal, mas como sei que tanto minha irmã quanto meu cunhado são unhas-de-fome, deduzi que tinha coisas estranhas acontecendo. Outra coisa que me deixou com a pulga atrás da orelha foi: mesmo com o tempo chuvoso o convite fora feito... Realmente a coisa estava estranha. De qualquer maneira tudo bem; queria mesmo ficar uns dias circulando pela casa mais à vontade.

Terça-feira:
Assim que acordei, talvez isto tivesse acontecido perto das 10h, percebi um pote virado e vazio ao lado do meu travesseiro. Estranho, pensei, por que teria um pote vazio do meu lado, continuei pensando. Contudo, assim que me pus sentado no colchão pude ver o real acontecido; muitos e muitos amendoins esparramados sobre e sob o lençol e o cobertor, e ainda, por dentro dos meus chinelos e por todo chão do quarto. Logicamente que no quarto eu não me encontrava sozinho, o cachorro tratava de comer os grãos espalhados pelo assoalho. Bom para ele, pensei. Depois me levantei, fiz o que tinha de fazer no sanitário, tomei um gostoso e demorado café, voltei ao sanitário, almocei, sanitário novamente, depois mais um pouco de sanitário, desta vez para espremer uns cravos do nariz. E para finalizar o expediente deste dia, fiz um lanche e depois mais um outro lanche, consecutivamente fui outras tantas vezes ao sanitário.

Quarta-feira:
Meu dia havia começado mais cedo, precisamente às 9h, e por esta extravagância fiquei entorpecido para o resto da quarta-feira. Em compensação comecei a ver coisas agradáveis e interessantes pela casa. Além de coisinhas gostosas para comer. Realmente a Olga sabe como me agradar... Falando em Olga, a partir deste dia começou a usar roupas mais provocantes... Cetins, sedas, saias curtas e coisas do gênero. E como já disse; a Olga sabe mesmo como me agradar. Porém, como havia acordado muito além do meu horário normal, estava exausto. Ainda mais depois de ter saído um pouco num boteco aqui perto do prédio onde moro.

Quinta-feira:
Quando acordei percebi que estava friozinho além de encontrar mais um pote de amendoim ao lado do meu travesseiro. Desta vez ainda estava cheio. Assim sendo, tratei de comer uns dois ou três punhados disto. Gosto de amendoins. Então comi mais uns dois ou três punhados destas sementes. Nisto acabei por derrubar um tanto delas pelo chão, e o cachorro logicamente não deixou para depois, comeu-os todos os que estavam espalhados dentro e fora dos meus chinelos. Bom, depois de comer o pote todo, em companhia do velho companheiro vira-latas, fui ao sanitário dar um trato no vaso, pois minha barriga estava até borbulhando. E então, depois, bem depois de ter estourado alguns azulejos do sanitário com minha concentração, vi a Olga vestida de couro e cetim desfilando pela casa... Realmente ela sabe mesmo como me deixar louco. Depois fui ao bar perto de casa, e lá me servi de algumas doses de catuaba para fortalecer o espírito.


Roupas elegantes, posições interessantes, sorrisos... hum!

Sexta-feira:
A semana foi passando e as coisas se tornavam mais interessantes e provocantes, pensei. Quando acordei, isso devia ser umas 9h30, vi a Olga debruçada sobre uma cômoda de roupas, revirando não sei o quê, enquanto usava uma camisa de cetim e uma saia que há tempos não usava. Agora o que mais me chamou a atenção foi, além de tudo isso, comidinhas estimulantes e roupas sensuais, foi ouvir Sally Oldfield cantando Mirrors ao fundo. Parecia sonho. Mas continuando; os olhares da Olga estavam me deixando doidão, no entanto me fiz de forte. Fiz o que tinha de fazer no sanitário, depois tomei meu café e fui para a rua. Dirigi-me ao boteco para tomar umas... Catuabas.


Na verdade não era um cômodo, mas... isto tanto faz também.

Sábado:
Dia fantástico, posso dizer. Às 10h fui acordado pela Olga trajando cetins e couros enquanto se rebolava toda para mim. Ovos de codorna, amendoins, Caracus e catuabas foram servidos numa bandeja de prata para mim ainda na cama. Confesso que comi e bebi pouco daquilo tudo naquele instante... Precisei ir ao sanitário; já estava me urinando. Tudo de manhã é mais complicado. Mas logo voltei também. Todas aquelas coisas ingeridas durante a semana haviam me aflorado um desejo incontrolável de agarrar minha senhora. Ô coisa boa.


Aqui as coisas começaram a incendiar.

Claro que não irei narrar todos os detalhes, mas posso garantir que nossas atividades sobre a cama, cadeira, sofá, outra cama, outra cadeira e mais outra cadeira, de volta para sofá, sanitário, mesa da cozinha, novamente ao sofá, outro sanitário, em cima da máquina de lavar roupa, depois rolando freneticamente até o sofá, de novo, e aí então, terminar na nossa cama. Ufa! Foi um trabalho dos bons que executamos. Do traje que ela vestia sobrou um botão da camisa enrolado em seus cabelos... Ah! Ainda sobrou um dos punhos da mesma camisa, por que o resto saiu voando aos pedaços para todos os lados. Até a saia de couro conseguimos rasgar em três partes. Que loucura! Quanto a mim; eu já estava praticamente pelado quando saí da cama na primeira vez, pois minha cueca estava com o elástico frouxo e a camiseta furada se desmanchou toda assim que me esforcei para sentar. O resto do dia foi para nós um tanto inútil, quer dizer, ainda brincamos mais uma vez. Logicamente que esta outra atividade foi menos selvagem, só quebramos o tampo da mesa da cozinha e dois vasos que estavam sem utilidade na sala.


Entre uma brincadeira e outra a Olga resolveu dar uma espairecida, desanuviar a mente e anuviar o ambiente... tudo bem.

Domingo:
Ficamos inertes o dia inteiro. Comemos e bebemos qualquer coisa. Depois ligamos o televisor, que ficou ligado passando uma porcaria qualquer enquanto um esfregava as costas do outro em um banho demorado cheio de piadinhas picantes. Enxugamos-nos carinhosamente, um com a toalha do outro; para mostrar que havia cumplicidade entre nós, e em seguida vestimos roupas adequadas de não fazer para não fazer nada, claro, acomodamos-nos no sofá um pouco bagunçado para comer um chocolatinho tranquilamente e ficamos esperando as crianças voltarem da praia, mas não sem antes fazermos corrida de mão boba pelo corpo um do outro. Definitivamente falando a semana passada realmente foi muito boa; a melhor deste ano até agora. Mas é isto, chega de saber de nossas vidas íntimas... Pelo menos por enquanto. Inclusive com direito a máscaras.


Logicamente que nem só de alegrias vive o homem. Depois de uma seção de total sensualidade e uma festa particular para levantar o ego o famigerado balde de água fria me foi atirado severamente; máscaras de Hipoglós, e toucas e espumas e uma porção de coisas que não sei dizer o que eram tomaram o lugar daquela Olga vestida com sedas, cetins, couros. Tudo bem. A roupa que mencionei que era para não fazer nada era esta daí. Mas não posso falar muito, pois nem com roupa feia costumo ficar quando estou em casa; fico pelado mesmo.

Mario Bourges 01:48 [+]


Sempre buscamos novidades para nossas vidas, e algumas vezes as novidades nos tomam de surpresa, de chofre. Temos ciência de que quando, pelo menos na maioria das vezes, tais novidades nos surpreendem, coisas boas é que não são. Contundo, esta em particular, assombrou-me de tal maneira que quase fiquei sem ar... Ã, talvez tenha acontecido um pouco menos, pois quem me ouve falando desta maneira deve pensar que o acontecido fora do além, ou e o que é pior, que estou tornando-me num velho maricas.

Deixe-me partir para a história propriamente dita, pois se continuar assim, cheio de floreios, certamente chegarei a parte alguma de nada. E como bem me conheço, ficarei dando voltas e mais voltas até que toda a linha do meu pensamento se perca por completo. E daí, já era. Então, como ia dizendo... Ã... O que era mesmo? Ah, sim; o cachorro, aquele vira-lata sempre que pode faz cocô onde não deve. Aliás, ele só faz cocô onde não deve... Mas... Ah, lembrei agora, estava falando de surpresas e coisas e tal.

Pois bem, dia desses, após muito tempo sem ver coisas do tipo, vi a Olga, toda se esgueirando pelas paredes em movimentos maliciosos, piscadelas atrevidas, sorrisos indecentes e movimentos com as mãos pra lá de provocadores. Sem dúvida que ela queria algo a mais de mim. Então, ao longo da semana pude perceber algumas coisinhas diferentes acontecendo pela casa.

Segunda-feira:
As crianças (netos e sobrinhas - a irmã da sobrinha que já mora conosco) foram convidadas inesperadamente a passar uns dias na casa de praia da minha irmã. Este fato poderia ser algo normal, mas como sei que tanto minha irmã quanto meu cunhado são unhas-de-fome, deduzi que tinha coisas estranhas acontecendo. Outra coisa que me deixou com a pulga atrás da orelha foi: mesmo com o tempo chuvoso o convite fora feito... Realmente a coisa estava estranha. De qualquer maneira tudo bem; queria mesmo ficar uns dias circulando pela casa mais à vontade.

Terça-feira:
Assim que acordei, talvez isto tivesse acontecido perto das 10h, percebi um pote virado e vazio ao lado do meu travesseiro. Estranho, pensei, por que teria um pote vazio do meu lado, continuei pensando. Contudo, assim que me pus sentado no colchão pude ver o real acontecido; muitos e muitos amendoins esparramados sobre e sob o lençol e o cobertor, e ainda, por dentro dos meus chinelos e por todo chão do quarto. Logicamente que no quarto eu não me encontrava sozinho, o cachorro tratava de comer os grãos espalhados pelo assoalho. Bom para ele, pensei. Depois me levantei, fiz o que tinha de fazer no sanitário, tomei um gostoso e demorado café, voltei ao sanitário, almocei, sanitário novamente, depois mais um pouco de sanitário, desta vez para espremer uns cravos do nariz. E para finalizar o expediente deste dia, fiz um lanche e depois mais um outro lanche, consecutivamente fui outras tantas vezes ao sanitário.


Mario Bourges 01:13 [+]
Sexta-feira, Janeiro 11, 2008
O BALTAZAR EM DOIS TEMPOS: FINAL DE 2007 E INÍCIO DE 2008



Ao longo do ano vemos as pessoas reclamando sem parar de tudo; que isto está errado, que aquilo não é ou não está bom, que o negócio está estragado, que a vizinha feia é feia mesmo, e por aí segue. Contudo, quando chega a época das festividades de fim de ano tudo se modifica. Pessoas começam a se elogiar, mesmo se odiando verdadeiramente, passam a sorrir, coisa estranha de acontecer por terras curitibanas, principalmente nas épocas de inverno, ou qualquer frente fria que chega de maneira inesperada. E como isto acontece de quando em quando, as pessoas daqui não sorriem. Tirando é claro essas épocas em que o ano se finda.

E aproveitando o assunto que comecei tratar darei continuidade com alguns acontecimentos, porém, mudarei o enfoque, afinal de contas precisamos de um pouco de alegria também. Bom, estávamos nós sentados à mesa nos empanturrando feito mortos de fome com a ceia de Natal... Bom, na verdade quem realmente se atolava na ceia era apenas eu, pois a Olga estava sentada do meu lado e cuidando de uma criança que não me lembro agora de quem era filho. Mas tudo bem, esta parte de assunto é pouco relevante, no meu ponto de vista. Então... Ah! Estavam os netos, imóveis e olhando para o teto, a sobrinha se amarfanhando com um sujeito grande e estranho que mal conseguia dizer o próprio nome, a minha irmã com o marido, aquele arrogante e metido... À inglesa, por assim dizer... Ã... Ah, sim; e que por ironia da vida atualmente sofre de gases. Sabe que até vejo graça nisto. Minha filha também compareceu na tradicional reunião familiar. Logicamente que acompanhado do marido caloteiro que vive se metendo em encrencas, pois o sujeito é totalmente sem noção.

Olha, não sei se já mencionei isso, mas datas como Natal e Reveillon me causam agonia, por que as cidades tornam-se insuportáveis de tanta gente circulando feito um bando de baratas tontas; e o que é pior, vestidas com a fantasia da bondade, da confraternização e da amizade, quando querem, realmente, é desferir tapas umas nas outras. Ainda poderia citar uma outra coisa que me aborrece profundamente, preços altos dos produtos, sejam eles quais forem. Creio que se aproveitam do momento de bobeira da população neste período para se abusarem dos valores. No entanto, como resolvi tratar de outro assunto, assim farei, ainda que permaneça no mesmo tema, pois não quero me aborrecer com isto. Realmente falando, são justamente essas coisas, entre outras tantas, que me deixam emputecido nos finais de ano.

Mas... Do que falava eu mesmo? Oh, sim, claro, da ceia; usava eu roupas novas para a ocasião, e roupas que ganhei da Olga. O traje em questão, manchado na noite de 24 de dezembro com algumas bebidas, algumas comidas e algumas outras coisas, era formado pelas calças, camisa e um par de meias... Meias... Elas sempre aparecem como item de presente. Continuando; o traje que acabei de citar foi usado também no almoço de Natal, e com todas as manchas adquiridas na refeição inaugural. Contudo, tal situação não chegou a me assustar, pois sou acostumado com adornos alimentícios deste gênero pelas vestimentas. Quem costumava vir com escárnios para cima de mim sobre meus descuidos na hora de me alimentar era meu cunhado, mas depois que as flatulências dominaram sua pessoa ele se tornou mais, ou melhor, menos provocativo.

Então, à mesa, estávamos todos nós, falo do dia do Natal propriamente dito, e entre uma programação estúpida e outra que tevê nos apresentava, comíamos as coisas preparadas deliciosamente para a ocasião. Logicamente que tudo sem muita cerimônia, e ainda, cuidando para quebrar categoricamente todos os protocolos de etiqueta. Detalhe este piamente seguido pela criança, que fui descobrir mais tarde se tratar do neto da minha irmã. Mas, sobre os protocolos; sabe-se que são estas coisas que fazem as festas tornarem-se chatas. Agora tenho de dizer uma coisa: o encontro familiar fora bom, e o evento almoço chegou num clima de grande alegria... Todos que lá estavam trataram de se ocupar com seus próprios pratos em vez de se ocuparem com a vida alheia trazendo novidades desnecessárias ou comentários inúteis.

Enfim, o dia se passou e todos o aproveitaram da melhor maneira. Alguns amigos ligaram para mim a fim de desejar um bom Natal e tudo mais, muito embora nos os tenha atendido, pelo simples fato de que não gosto de telefones, e eles sabem disto. Portanto, se quiserem me ver terão de vir aqui em casa, ou contar com a sorte de me encontrar por aí, flanando pelas ruas, ou escorado em algum balcão de bar ou alguma mesa de algum café. Mas se quiserem vir aqui em casa neste momento poderão vir, mas terão de esperar também, pois estou contando com a boa vontade do peru, da maionese, do arroz e da farofa, ou o que sobrou disso tudo, despencar vaso sanitário a fora, pois essas comidinhas ainda estão encruadas na minha pança.


Esta era o neto da minha irmã, lambuzando-se com o que pôde e o que não pôde.


E aqui a família toda reunida; comendo, bebendo, peidando... e tudo mais.


FELIZ 2008

Após todas essas festas de fim de ano sem muito sentido já era tempo de começar tudo de novo. Ano novo, vida nova, problemas novos, risadas novas, piadas novas, enfim, tudo novo. Assim sendo estava eu sentado numa cadeira de praia tranquilamente à beira mar quando escutei alguém esgoelando para mim algumas palavras:
-- Baltazar, sai já daí! O sol está forte e, pelo que pude ver não está usando protetor solar. Gritou assim para mim este alguém que não pude identificar quem era por eu estar sem meus óculos de grau e sem meus óculos de sol, e falando em sol, eu estava recebendo sua luz diretamente em meus olhos, e isto me impedia de identificar quem gritava para mim... Ã... Parece-me que disse isso. Bom, que seja; mas voltando aos óculos, nem que os quisesse usar não poderia pelo fato de quando chegamos à praia a primeira coisa que fiz foi largá-los sei lá onde. Então, como não queria saber de nada nem de ninguém, tratei de fazer o que estava fazendo antes, ou seja, sentado na cadeira, olhando o mar e fazendo mais nada. Agora, falando em proteção; quem foi que disse que não estava protegido? Estava sim! Estava usando um chapéu cata-ovo que achei vagando numa caixa cheia de quinquilharias. É, foi isso mesmo.

Sabe, poderia fazer mil coisas naquela manhã de... De... Nem me lembro de qual dia aquela manhã pertencia. Poder fazer qualquer coisa eu poderia, mas preferi observar toda aquela paisagem marítima enquanto procurava me acomodar naquela incômoda cadeira. Então, lá pelas tantas, após sentir a brisa fresca soprando na minha cara, e olhar feito bobo as incessantes e incansáveis ondas estourando no raso, adormeci. E logo em seguida entrei num sono profundo com direito a sonhos e tudo mais. Daí por diante foi só alegria... Ou não; via ao longe um barco estranho navegando, chegava a ser engraçado até. Lá pelas tantas o barco veio se aproximando e se aproximando e aí percebi que se tratava de um barco viking. De repente um bando de gigantes louros pulou lá de dentro aos berros... Não! Isso, urravam sem parar. Todos armados, se bem que nem precisavam estar armados, pois eram grandes e fortes... Mas como gritavam. Eu já estava surdo de tanta gritaria. Gritavam para os que estavam na praia, que neste caso só tinha eu, depois gritavam uns para os outros e até para eles mesmos. Coisa de louco.

Na verdade não estava entendendo nada, e creio que nem eles estivem entendo alguma coisa, mas entender é uma das coisas que eles menos sabem na vida, vivem inventando lendas para criar uma possível razão para a deficiência que têm sobre entendimentos. Mas, deixe-me continuar; enquanto todos do bando gritavam sem parar para cima, para os lados, para baixo e para dentro de seus calções furados na bunda, um sujeito baixinho, barbudo, barrigudo, velho e com cara de louco, mais ainda que os loucos que gritavam sem parar saiu do barco, digo, pulou do barco, e caiu sobre os pés na areia, e com a cara de poucos amigos. Veio em minha direção mancando, e mancando por ter virado o pé na areia quando aterrissou do salto pouco elegante que deu.

Durante o trajeto que fez, trajeto este que por sinal foi muito mal escolhido, pois teve de desviar pedras e pequenos morros com a perna manca... Realmente o trajeto foi muito mal escolhido... Podia ter desviado dos morros por um caminho feito ao lado... Como é burro! Pensei. Então, durante sua horrível e vagarosa caminhada podia-se ouvir a música Frownland do extra maluco Captain Beefheart ao longe. E quando ele chegou perto de mim puder ver sua cara suada e carunchada, e o nariz imenso e imperfeito feito um morango torto, e ainda, cheio de cravos. Bom, depois ele pegou seu cachimbo babado e cutucou meu pé de plástico. Que estranho! Pensei novamente. Por que este idiota cutucaria meu pé deste jeito? Continuei pensando. E continuou cutucando e cutucando.

Depois que desistiu de cutucar meu pé resolveu cutucar minha perna. Foi aí que acordei, mas estranhamente vi um bando de gaivotas ao meu redor em vez dos gigantes vikings. Penso que tenha sido melhor assim, pois as gaivotas eu pude meter um ponta-pé nelas e pronto, tudo se resolveu, ao passo que com os vikings... Sei não. Ainda mais aqueles vikings gritantes, mais o baixinho carunchado e barrigudo e manco e suado... E aquele nariz... Imenso; cheio de cravos... Bleargh! Mas sabe, o problema de tudo isso foi descobrir que além das gaivotas tentarem me devorar a bicadas, foi sentir a ardência na pele por causa do sol. Provavelmente esta noite dormirei em pé besuntado com algum creme hidratante, talvez encostado em alguma parede, por que senão vai ser difícil. Contudo, o mais difícil vai ser agüentar a pessoa que me avisava para eu me cuidar. E tal pessoa, se não me falhe a memória auditiva, só podia ser a Olga. Só ela grita comigo daquele jeito. Mas tudo bem, agora é ter paciência e esperar que este estrago na pele não perpetue, senão serei alvo de chacota... E isto não quero ser.


Aqui os tais vikings gritavam e gritavam, por vezes miavam também. Não sei, talvez agissem desta maneira por causa da bebida... É, pode ser.


E este era o tal baixinho que me apareceu... Como era burro!

Mario Bourges 14:33 [+]

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